A quem pertenço? A Deus ou ao mundo? Destaque

terça, 29 março 2016 09:25 Escrito por 
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A quem pertenço? A Deus ou ao mundo? Muitas preocupações diárias me sugerem que pertenço mais ao mundo que a Deus. Uma pequena crítica me irrita e uma pequena rejeição me deprime.

Enquanto sigo correndo por todos os lados perguntando: Me quer? Realmente me quer? O mundo diz: Sim, te quero. Sim, se é bonito, se é inteligente, se tem uma boa saúde, se tem uma boa educação, se tem um bom trabalho e se tem bons contatos. Te quero se tem uma boa produção, se vende e compra muito. Estes intermináveis "se" escondidos no amor do mundo me escravizam, porque é impossível responder de forma correta a todos eles com um amor que é e será sempre condicional, um amor que me deixa viciado ao mundo, tentando, falando e voltando a tentar. É um amor que promove os vícios porque é o que oferece, não pode satisfazer-me no profundo do meu coração.

De repente vi com toda claridade o caminho que havia elegido e onde me havia conduzido; entendi que havia tomado uma opção de morte; e eu sabia que um passo mais naquela direção me levaria a autodestruição. Em um momento tão crítico que me fez optar a vida foi sem dúvida o redescobrimento de mim e que Deus me sustenta de dia e de noite, este Pai que não é só um grande patriarca; é mãe e pai: Toca meus ombros com uma mão masculina e outra feminina. Ele me sustenta e ela me acaricia. Ele segura e ela consola. Sem dúvidas Deus, na feminilidade e masculinidade, maternidade e paternidade, estão plenamente presentes em minha vida. “Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas mãos eu te gravei.”(Is 49,15-16).

Estou convencido de que muitos de meus problemas emocionais desapareceriam se deixasse que o amor maternal de Deus, que nunca se compara, inundasse meu coração. Ele me busca na distância, tratando de me encontrar e desejando me levar a casa. Se estou suficientemente consciente de que Deus tem tentado me encontrar, me conhecer e me amar, a questão é: “Como posso encontrar-lhe?” ou: “Como posso deixar que me encontre?” A questão não é: “Como posso conhecer-lhe?”, mas “Como posso deixar que me conheça?” e, finalmente: “Como vou amar-lhe?”, mas “Como vou me deixar amar por Ele?”

Agora começo a ver o que vai mudar radicalmente em minha trajetória espiritual quando deixar de pensar em Deus como alguém que se esconde e que me põe todas as dificuldades possíveis para que a encontre, e comece a pensar n´Ele como Aquele que me busca enquanto eu me escondo. Não seria bom aumentar a alegria de Deus deixando-lhe que me encontre, me leve a casa e celebre minha volta com os anjos? Não seria maravilhoso fazer sorrir a Deus dando-lhe a oportunidade de me encontrar e me amar generosamente? Aqui está o centro de minha luta espiritual: o conceito que tenho de mim mesmo. Posso aceitar que me busque? Creio que realmente Deus deseja estar comigo?

Espero e rezo para que descubra em vosso interior, não só aos filhos perdidos, mas também ao pai e a mãe compassivos que é Deus.

Tony BARAKAT
Voluntário dos Países Francófonos

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