Testemunho de Pe. Fernando, Portugal – AG2010

III ASSEMBLEIA GERAL DA JMV
ENRAIZADOS EM CRISTO, SEMEEMOS A ESPERANÇA
O mês de Agosto de 2010, segundo os meteorologistas, foi um dos meses mais quentes dos últimos anos. Também para a Juventude Mariana Vicentina este foi um dos mais “quentes” dos seus joviais 26 anos em Portugal porque de 1 a 6, na Casa de Espiritualidade do Turcifal, Patriarcado de Lisboa, realizou-se a III Assembleia Geral. Convocados pelo lema: Enraizados em Cristo, semeemos a esperança, reuniram-se jovens de todo o mundo. Estiveram representantes de 38 países com 157 participantes dos quais 58 tiveram direito a voto; mais tradutores e voluntários. Quase todas as delegações eram constituídas por dois jovens, o assessor e a assessora nacionais. Permitam-me que faça, por razões óbvias, uma referência especial à presença da delegação de Cuba que, apesar das enormíssimas dificuldades, estava representada por um jovem e uma Irmã. Constatamos, assim, com grande júbilo que, à excepção da Oceânia, todos os continentes estavam representados.
Cumpridas as devidas formalidades – verificação de quórum, nomeação de comissões, apresentação e aprovação do directório, coisa para por as jovens escrutinadoras à roda e os votantes a verem-se ameaçados com tendinites – a Assembleia continuou com a apresentação, a cargo da presidente e das conselheiras, dos primeiros relatórios sobre a realidade da Associação no mundo.
Verificamos que, como certamente muitos leitores advinham, a Associação Juventude Mariana Vicentina tem crescido muito nos últimos anos, nomeadamente, nos países da América Latina e Caribe e na Europa de Leste. Em África apresenta sinais animadores de crescimento e em países como a Indonésia, Japão e Vietnam, se mantém bem viva, não sem as dificuldades impostas pelos contextos culturais e religiosos; no Líbano vive com actividade e dinamismo bastante consistente. E nos países do sul da Europa, podemos dizer que sofre do mal geral: diminuição de jovens inscritos e a participar nas actividades da Associação. É evidente, que a vida da JMV é muito mais do que os números dos relatórios podem evidenciar. Isso mesmo fomos percebendo, quer nas partilhas em trabalho por grupos linguísticos quer, sobretudo, na interacção de corredor, das refeições e dos tempos livres, onde o carisma e o espírito vicentino se sentia muito vivo na forma próxima e aberta como os dias foram decorrendo.
Logo no segundo dia, o Pe. Ramzi, CM do Líbano, brindou-nos com uma palestra com o tema: “ Como Maria, enraizados em Cristo”. Partindo do texto evangélico das Bodas de Cana desafiou-nos a uma nova mariologia. Disse-nos que consagrar-se a Maria é aceitá-la como Mãe para que nos acompanhe na nossa peregrinação de fé; é aceitar entrar na fé; é pedir-lhe que nos ajude a ser activos na pobreza e a deixar-nos amar, a ser passivos na actividade e fazer o que Ele nos diz. “Jesus ensina-nos que o vazio que a morte de alguém querido, ou alguma dificuldade deixa, só pode ser compensado pelo seu amor eterno. Os nossos pecados e sofrimentos são o lugar do encontro com Ele. E Maria é a “Tenda do Encontro”, é Ela quem organiza este encontro entre Ele e eu. É ela quem leva a cada um de nós no globo que apresenta a seu Filho. Não leva as nossas orações, intenções, necessidades e súplicas; mas leva-nos a nós mesmos porque sabe que a verdadeira graça de que necessitamos é que nos encontremos com Jesus”.
Iniciámos o terceiro dia com uma Eucaristia que, pela sua envolvência, dinâmica e diversidade linguística marcou indelevelmente todos os participantes. Foi um dos momentos mais altos. Já no auditório escutamos mais uma palestra. Esta intitulada “São Vicente de Paulo e Santa Luísa de Marillac enraizados em Cristo” ministrada pela Ir. Maria Ángeles Infante, FC na qual nos explicou como São Vicente e Santa Luísa viveram o seu enraizamento em Cristo e a sua relação com DEUS; e, depois disso, por grupos linguísticos, reflectimos e falamos sobre como aproximar os jovens a Deus.
No quinto dia, tivemos entre nós uma pessoa muito querida da JMV, Eva Villar, antiga JMV e actual MISEVI, que veio partilhar connosco a palestra intitulada “Vicentinos Enraizados em Cristo”. No dizer da autora, esta não era uma palestra, mas o testemunho de um conjunto de convicções: 1º) ser cristão é optar pelos pobres e isso é ser vicentino; 2º) é preciso ser de Jesus Cristo para optar pelos pobres; 3º) cada um de nós tem o dever de descobrir a sua missão neste mundo; 4º) ser feliz com as opções feitas…Foi também um momento muito forte pela força do testemunho.
Um dos momentos mais esperados deste tipo de Assembleias é a Eleição do presidente e dos conselheiros internacionais. Esse momento ocorreu no quarto dia. Pela tarde, o Padre Gregory conduziu-nos num momento de reflexão e discernimento, para deixarmo-nos guiar pelo Espírito Santo, abrindo-nos à sua presença, para descobrir a vontade de Deus. Foi eleita presidente Yasmine Cajuste, JMV do Haiti, que quando questionada pelo padre Director Internacional, sobre se aceitava a função disse que sim, porque percebia que esta era a vontade de Deus. Todos a aplaudiram entusiasticamente e continuou a acção de graças na Eucaristia que de seguida se celebrou. No dia seguinte, pela tarde, procedeu-se à eleição dos conselheiros internacionais; foram eleitos os seguintes: Argelys Vega (Panamá); Ghislain Atemezing (Camarões); Karmen Kunc (Eslovénia); Anh Nguyen (Vietnam). Conseguiu-se o atender a uma das recomendações do Conselho Internacional: que houvesse uma distribuição geográfica dos Conselheiros de forma a ter um por continente.
Foi aos pés de Maria, como não podia deixar de ser, no Santuário de Fátima, que a Juventude Maria Vicentina encerrou a sua III Assembleia Internacional com a recitação do Rosário, em vários idiomas, na Capelinha das Aparições e a celebração da Eucaristia, presidida pela P. Gregory, numa das capelas da Igreja da Santíssima Trindade.
Todas as noites havia um lindíssimo e riquíssimo momento cultural onde cada país apresentava algumas das suas tradicionais canções e danças. Eram também os momentos em que a maioria aproveitava para descomprimir e relaxar das muitas horas sentados nas magníficas cadeiras do auditório da casa que nos acolheu durante estes dias. Também a este nível se fechou com chave de ouro. Na última noite, a JMV de Portugal, brindou os presentes com um belíssimo momento de fado e de folclore típico do Oeste. Todos estavam felizes e gratos pela forma acolhedora, hospitaleira e calorosa como a JMV de Portugal os recebeu e o espírito sereno como decorreram os trabalhos desta longa “maratona”.
Em nome da JMV, gostaria de deixar aqui um agradecimento muito fraterno à Congregação da Missão e, sobretudo, às Filhas da Caridade pelo apoio logístico que deram à realização desta Assembleia, sem ele, ser-nos-ia muito difícil fazê-lo da forma como fizemos. Afinal, todos estamos de parabéns.
O Documento Final diz que os jovens concluíram a “III Assembleia Geral com as mãos cheias de sementes para semear esperança onde quer que estejamos. Com a graça de Deus e o esforço das nossas mãos esperamos que as sementes cresçam com força, enraizados em Cristo, durante os próximos cinco anos. O tempo é hoje!”
Assim seja!
p. fernando, cm

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