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A
Mauritania, país de muita areia e sol, ensinou-me mais uma vez que o Amor
gratuito do Nosso Senhor pode existir sobre a terra por meio de nós mesmos...
Os oito dias em que estive nesse país - de 20 a 28 de março de 2001- revelaram-me,verdadeiramente,
que: Deus, por si mesmo, é Amor e nós somos reflexo da sua ternura... Nós,
seres humanos, somos capazes do “pior” e do “melhor”...
Realidade
do país:
A
Mauritânia é um país africano de natureza desértica e, conseqüentemente,
pobre. O povo mauritano é muçulmano. A presença cristã encontra-se limitada
aos imigrantes de outros países da África: Guiné, Togo, Congo... assim como a
missão católica dos padres, religiosos e leigos voluntários nos centros
sociais de promoção.
A
Juventude Mariana Vicentina:
A
JMV na Mauritânia conta com uma centena de jovens de diversos países
africanos. É um grupo muito forte e ativo, porém limitado somente aos lugares
onde a Missão Católica está presente. Eles estão divididos em três grupos,
de acordo com a sua idade: “Rayons de Solei” (Raios de Sol), de 8 a 11 anos
(são aproximadamente cinqüenta), “Rayons de Joie” (Raios de Alegria) de 12
a 15 anos (aproximadamente 17 membros), “Les Rayons” (Os Raios), de 15 a 20
anos de idade (são uma trintena). A equipe de responsáveis é formada por sete
leigos.
É
um grupo forte e muito ativo na paróquia.
O
seu trabalho é dirigido:
Pelo
Padre da Paróquia: Pe. Marc Botzung;
Pela
Presidenta leiga: Edwige Hedihon;
Pela
Irmã Conselheira: Ir. Edwige Liféramaray, F.C.;
Pelo
Assessor: Pe. Jean Louis Barrin;
E
pelos Responsáveis: Georghette Nana, Elie Samake, Ane Marie da Silva, Ugète
Hedihon, Raymond Egba e Adriano da Silva.
Os
membos da JMV reunem-se uma vez por semana para viver em equipe, discutir os
temas, compartilhar as suas experiências, orar, preparar e animar as
Eucaristias, preparar encenações do Evangelho e outras várias atividades...
Eles
são conscientes de que não estão cumprindo com o seu dever de servir e, por
isso mesmo, prepararam uma Quermesse e enviaram o dinheiro arrecadado às Filhas
da Caridade que trabalham com as crianças no hospital local. Encarregaram-se,
também, de voltar às visitas aos doentes que faziam antes para, assim, reforçar
o espírito de serviço no Movimento.
Desenrolar
da visita:
A
missa de boas-vindas foi uma verdadeira maravilha, celebrada pelo Bispo e por
muitos outros sacerdotes. A JMV animou os cânticos com as suas vozes angelicais;
cantaram em árabe, vestidos à libanesa
no Ofertório. Vinte catecúmenos fizeram a sua promessa nessa celebração.
O
Bispo - Monsenhor Martin Hape - falou durante muito tempo sobre a nossa pequena
reunião de amizade, que teve lugar na quarta-feira 21, sobre o desjejum na
Arquidiocese, o papel animador da JMV, a desenvolver na Paróquia. Ele insistiu
no fato de que Jesus pediu a Pedro para ser uma “pedra” sobre a qual a
Igreja será fundada; assim, cada um de nós deve colaborar com a sua pedra ou
com “um tijolo” (já que todos os tijolos têm uma mesma forma e as pedras
possuem formas diversas) para reforçar a construção da Igreja, cada um
seguindo o seu próprio carisma. Ele destacou a importância de uma colaboração
conjunta sem que um grupo tenha o seu jardim separado.
Nas
reuniões de trabalho que tive com o Conselho Nacional, falamos do Documento
Final da Primeira Assembléia Geral da JMV, dos Estatutos, do Tema Anual, da Dinâmica
dos grupos e da formação dos responsáveis. Eles destacaram a necessidade de
formação dos responsáveis, assim como de materiais de formação e de
trabalho (livros, revistas, fitas cassetes etc...)
Eles
encontram uma grande dificuldade de estar em contato com o Secretariado
Internacional porque não têm acesso à Internet e, cada vez que buscam informações
ou precisam teclar os documentos para os responsáveis, pagam uma considerável
quantidade de dinheiro. Para resolver tal problema – comum desde o início –
eles prevêem economizar e levar a cabo projetos de arrecadação para comprar
um computador.
Tivemos,
ainda, uma série de reuniões com os membros da JMV, nas quais tratamos da História
da JMV, da Espiritualidade, Metodologia de trabalho, animação por meio de
conferências, trabalhos em grupos,
questões plenárias, jogos, cânticos etc...
A
visita dos pais dos jovens marianos permitiu-me conhecer mais de perto a dura
realidade econômica na qual eles vivem, assim como fazer uma idéia daquilo que
os pais pensam da JMV e esperam que os seus filhos aprendam neste Movimento.
Uma
reunião com o grupo da Associação Internacional da Caridade e da Associação
de São Vicente de Paulo foi prevista para reforçar a nossa colaboração
conjunta e possibitar aos pais o conhecimento da JMV.
Visita
aos Centros de Nutrição e de Promoção Feminina:
As
Filhas da Caridade dão testemunho de Cristo no silêncio e na ação... na
pureza vivida... Um testemunho muito forte para nós que estamos acostumados a
falar e a expressar-nos de forma livre. Este testemunho fez-me recordar a discrição
de Maria no Evangelho... Elas são doze em total; estão repartidas em três
casas e trabalham na prisão, nos hospitais e nos Centros de Recuperação
Nutricionais Infantis em Toujoueline e em Tayret (onde dão de comer e seguem a
evolução sanitária de um determinado número de crianças que sofrem de
desnutrição e ensinam às suas mães
como cuidar dos seus bebês) e dos centros de promoção feminina em Dar
Naïm e em Dar el Barka (onde ensinam às mulheres a pintura de tecidos e a
costura durante um ciclo, além de cuidarem dos seus filhos durante o período
das aulas). Estes centros são financiados essencialmente por COVIDE e pela
Cooperação Espanhola.
Durante
a visita nestes centros, as mulheres expressaram a sua alegria de ser bem
acolhidas nos mesmos e o seu evidente reconhecimento pela ajuda delas recebendo
também a aprendizagem verdadeiramente útil para o futuro das suas famílias.
As
monitoras mauritanas expuseram a preparação e a formação que recebem das
Filhas da Caridade para empreender e dirigir o trabalho nestes centros.
Vocês
podem imaginar a minha alegria ao ver uma criança de seis anos dar os seus
primeiros passos sozinha, sem ajuda? Sim, é maravilhoso ver os milagres de Deus
ocorrendo, seguindo o trabalho e a perseverança dos Homens... “Mariam”
(Maria em árabe) é a criança de seis anos que deu os seus primeiros passos na
nossa presença no CRNE de Toujoueline.
Esses
oito dias representaram uma experiência deveras rica de intercâmbio no qual os
jovens, sacerdotes, religiosas e pais completam-se e colaboram para uma vida
melhor.
Eu
espero que tal visita tenha repercussões positivas para o futuro e que existam
jovens animados a criar relações de solidariedade com outros jovens deste
mundo e que, assim, sintam-se estimulados a ir à Mauritânia e viver esta
experiência de intercâmbio e ajuda às famílias e aos jovens que têm
verdadeiramente necessidade de muito auxílio e, desta maneira, aprender deles o
sentido do amor de Deus que surge nas dificuldades.
Atualmente,
estamos em fase de estudo da possibilidade de um projeto de apadrinhamento de
amizade entre os jovens da JMV, assim como também de um projeto de apoio.
Muito
obrigada a todos:
Pela
calorosa acolhida que faz com que uma pessoa sinta-se em casa;
Às
Filhas da Caridade pelo seu testemunho de amor gratuito e de serviço em silêncio;
A
todos os Padres e Irmãs da Missão Católica que portam em si a Missão de
Cristo, que aceita o homem exatamente como ele é;
Aos
jovens da JMV pelo seu compromisso e pela sua fidelidade.
Animo
todos a seguir em frente!
Gladys
Abi Saïd
Presidenta Internacional da JMV.
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