PRIMEIRA APARIÇÃO DA SANTISSIMA VIRGEM

A SANTA CATARINA LABOURÉ

(18 de Julho)

 

É em memória da Aparição da noite de 18 de Julho de 1830 e do pedido feito pela Santíssima Virgem à Irmã, Catarina, que a Associação comemora esta data.

Uma grande data para mim!

Quando a Santíssima Virgem exprimiu o Seu desejo à humilde Vidente, Ela viu antecipadamente, um  a um, todas as almas de jovens que haviam de corresponder a esse desejo...

Viu o grau de fervor de cada um ...

Viu me a mim... com as minhas alternativas de ardor... e de tibieza...com os meus entusiasmos ... e os meus retrocessos.

Fazer hoje como Santa Catarina: ir ao pé da minha Mãe, humildemente, ajoelhar me junto d'Ela, pôr as minhas mãos sobre o Seu regaço, olhar para Ela, escutá La ... falar-Lhe ... Agradecer-Lhe muito!.. .

Maria está sentada. Ela não tem pressa ...

Tem muitas coisas a dizer me...

Sobre o seu regaço...

O que é o regaço duma Mãe para um filho?

Tudo!

Não é aí que a criancinha se abandona, se aconchega?...

Não é ai que ela vai expandir as suas alegrias, os seus desgostos, as suas lágrimas e os seus sorrisos?...

Não é aí que depõe a flor colhida com amor, a primeira página de escrita ou o brinquedo quebrado?

Não é aí que ela vai procurar coragem, que vai fazer transbordar a sua confiança?...

Ora, Santa Catarina faz como essa criancinha: põe as mãos sobre o regaço da sua Mãe ...

As suas mãos...

0 que são então as mãos?

As mãos, são a oração.

Quando rezamos, elevamos as mãos para o Céu; elas traduzem a súplica.

Jovens Mariais, ponhamos pois também as nossas mãos juntas sobre o regaço da nossa Mãe; façamos passar tudo por Ela. Depositemos aí essa vida interior que tanto nos pregam, essa vida de união com Nosso Senhor, à qual não chegaremos segura e rapidamente senão por Maria. A nossa lentidão em  “viver essa vida” não será causada pelo pouco cuidado que temos de a “viver por Maria” ?

Como uma criancinha que aprende as letras no grande alfabeto aberto sobre o regaço da mãe, aprendamos a conhecer Jesus no livro de vida, que Maria conhece tão bem e que Ela nos abre “sobre o Seu regaço”.

As mãos, são o trabalho, a acção.

Jovens mariais, ponhamos as nossas mãos que trabalham sobre o regaço da Virgem nossa Mãe: as nossas mãos de serviçais de empregados ou de estudantes; as nossas mãos que manejam a agulha, a pena ou a lançadeira; as nossas mãos que se ocupam nos nobres trabalhos caseiros ou nos rudes trabalhos do campo; as nossas mãos ágeis de operários, que todos os dias recomeçam o mesmo trabalho monótono ou as nossas mãos hábeis de bordadoras, ou as nossas mãos nervosas de dactilógrafas, “batendo” sem cessar nas teclas duma máquina, na atmosfera pesada dum escritório, ou as nossas mãos morenas de lavradeiras, revolvendo o feno ao sol quente de verão, ou ainda as nossas mãos febris e pálidas de doentes ...

Que importa o que fazem as nossas mãos de Jovens Mariais, se pela manhã as poisarmos sobre o Seu regaço, para que a sua actividade seja sobrenaturalizada, orientada para o Céu, para que o seu trabalho seja unido ao da Virgem de Nazaré, oferecido com o d'Ela, consciencioso como o d'Ela, ou então para que a sua dolorosa inacção seja santificada.

Se à noite as nossas mãos sabem, como que instintivamente, descansar no Seu regaço do seu trabalho contínuo, todas as fadigas desaparecem, todas as decepções do dia se desvanecem, todas as actividades fornecidas se multiplicam e ficam inscritas para toda a eternidade ...

Portanto, passam hoje cerca de 176 anos que a Associação existe e não somente em Paris, mais todo o mundo, isto é, em 65 paises com 125 000 membros. Por conseguinte, juntemo-nos a todas associações e celebremos esta importantíssima data.

É com esta reflexão que gostaria de deixar pela ocasião da passagem do 176º aniversário da associação e faço votos que esta seja útil para todos quanto possam ler.

Dispeço-me na certeza do vosso sincero abraço!

 

Deves Herculano Bernardo
Presidente Nacional da Jumar Moçambique