PARTE I: Introdução:
A oração é uma das atividades mais belas e profundas que o homem pode realizar. Através da prática incessante da oração, o homem alcança tal profundidade e renovação interior que pode-se tornar “obra” de Deus na oração e através da oração. Jesus é o autêntico exemplo e mestre de oração para o cristão. Maria também foi uma mulher contemplativa: “Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração” (Lc 2,51). São Vicente de Paulo viveu sempre com a certeza do grande valor da oração: “Um homem de oração será capaz realizar o impossível” (Coste IX, 83; CEME XI, 778).
Orar é viver; não é imaginar nem sonhar, mas sim acordar do “sonho” ao qual estamos presos. Orar é despertar, um constante amanhecer; um contínuo despertar da vida, na vida... e para a vida. A outra oração – a que está fora da realidade da vida, que finge e adormece, que é refúgio e fuga... – não é oração. A oração também não é “pensar profundo em Deus”, pois passar muito tempo entre pensamentos não basta numa relação interpessoal. Orar é dialogar com Deus no mais profundo do nosso coração. À medida que Deus Se revela e O conhecemos melhor, a oração torna-se espontânea, como um chamado recíproco, um diálogo no qual Deus chama e vai ao encontro do homem (“Onde estás?”... Gn 3,9-13) e o homem dá sua resposta (“Eis que venho, ó Deus, para fazer a tua vontade” Hb 10,5-7). Por isso mesmo, Santa Terezinha de Jesus afirma que a oração “é uma prova de amizade; é estar a sós com Aquele que sabemos que nos ama”. Quem chega a descobrir a Deus, a Cristo, torna-se “amante”; e aquele que ama está em sintonia, procura estar sempre perto, dialogar...
É preciso viver a oração, ou, em outras palavras, o encontro com Deus. Uma coisa é pensar em escalar a montanha, e outra muito diferente é escalá-la realmente. Só se alimenta aquele que come, não basta ler o menu do restaurante; também só se sacia a sede bebendo água, não basta olhar a fonte. É caminhando que se aprende a caminhar e orar só se aprende orando.
O coração do homem, infinitamente necessitado de amor, vai ao encontro amoroso de seu Deus levado por uma nostalgia insaciável; quer dar sentido à sua existência com a presença luminosa e radiante de Deus; sente-se como um raio, cuja existência depende do próprio sol. Como poderia existir desligado d’Ele? “Ser em Deus”, numa comunicação e comunhão de amor.
Por meio da oração, estamos com Deus e experimentamos o Seu Amor. “Estar” simplesmente é uma atitude que não exige muito esforço de nossa parte, já que costumamos dar muito valor às nossas ações, ao nosso trabalho e condicionamos a nossa existência ao rendimento e à eficácia. Por isso, é mais importante “estar” do que “fazer” na oração, valorizando a capacidade de sermos conscientes de que estamos aqui e agora numa atitude ativa e passiva ao mesmo tempo. Ao orar, às vezes nos preocupamos muito com o que dizemos ao Senhor, com o que pensamos, raciocinamos ou fazemos, com os propósitos que assumimos... tanto é assim que, às vezes, nos esquecemos do Senhor e só nos lembramos de nós mesmos, dos nossos problemas e debilidades. Jesus diz: “Quando orardes, não multipliqueis vossas palavras... porque o vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais” (Mt 6,7-8).
Assim, com a ajuda deste pequeno livro, queremos estimular-te a “estar” em oração, concentrado, em paz no mais profundo do teu ser e numa atitude de silêncio e acolhimento. O silêncio possibilita o auto-conhecimento e, ao mesmo tempo, a aptidão para receber e acolher a Deus, Sua revelação e Sua voz no mais íntimo de nossa alma. Atualmente, temos pouca capacidade para permanecermos em silêncio e sermos acolhedores e receptivos diante da presença amorosa de Deus. “Falai, Senhor; vosso servo escuta” (1 Sm 3,9).
Todo e qualquer encontro profundo entre pessoas conduz a uma autêntica expressão, a uma revelação da intimidade das mesmas. Tal revelação íntima faz surgir uma amizade autêntica e só é possível quando as pessoas estão com seus corações em silêncio, atentos e receptivos. Assim sendo, devemos possibilitar as condições adequadas para que este encontro aconteça e dar início a esta tarefa delicada.
ALGUNS MEIOS:
Tendo já bem definido o elemento primordial – nossa disposição – analisemos alguns meios.
Levando em conta que somos jovens e estamos num processo de aprendizagem, às vezes devemos fazer a nossa parte oferecendo meios capazes de nos ajudar nesse encontro e centrando nossa atenção nessa presença viva.
Pode ser de grande ajuda um símbolo, uma vela, a Palavra, um texto selecionado etc... também podemos repetir uma palavra, frase ou uma breve oração, lentamente, seguindo o ritmo da respiração;
Também pode ser de grande valia um sentimento, um gesto, uma canção...
Ainda pode ajudar um pensamento ou uma reflexão...
Um encontro com os mais pobres e necessitados, um fato ou testemunho de vida...
E, para os que já estão habituados, o próprio silêncio.
Mas é preciso lembrar sempre que não podemo-nos limitar a estes meios, como se os mesmos fossem o fim em si mesmos. Eles são “pontes” que nos ajudam e facilitam o encontro pessoal, íntimo e amoroso com Deus. Não nos esqueçamos disso.
Com o intuito de facilitar este encontro com Deus, damos algumas sugestões para a oração individual e a para as celebrações em grupo, sugestões inspiradas na espiritualidade Mariana e vicentina da nossa Associação. Esperamos que elas sirvam para despertar em você esta atitude de oração.
Na espera pentecostal do Espírito Santo e unindo suas orações às orações dos discípulos, a Santíssima Virgem Maria tornou-se exemplo para a Igreja; que Ela conceda a todos os jovens da JMV do mundo inteiro o dom da oração incessante e do silêncio; que nos dê uma capacidade profunda para a entrega ao serviço em favor dos pobres e de outros jovens.
PARTE II: ORAÇÕES DA JMV
ORAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO
Vem, Espírito Santo, e envia do alto do céu um raio da Tua luz.
Vem, pai dos pobres, doador da divina graça e luz dos corações.
És consolo e defensor, amável hóspede dos corações e alívio incomparável.
És descanso no trabalho, brisa no calor ardente e consolo na aflição.
Ó ditosa luz divina, ilumina plenamente o coração dos Teus fiéis.
Sem Ti não pode haver em homem algum, jamais, inocência nem bondade.
Vem livrar-nos do pecado, abrandar a nossa aridez e curar as nossas feridas.
Concede-nos que possamos superar a nossa obstinação,
vencer a nossa apatia e nos guardar no bom caminho.
Àqueles que crêem em Ti e em Ti confiam,
concede os Teus sete dons sagrados.
Como prêmio da virtude, dá-lhes a felicidade e a alegria eterna. Amém
ORAÇÕES MARIANAS
Orar com Maria..
Para Maria, orar significou constatar a grandeza de Deus em si mesma e considerar-se fruto desta grandeza. Orar consiste em reconhecer a Deus como “meu Deus”, aquele que me ama e me considera um filho predileto, sem um motivo específico. A oração Mariana é um diálogo com Deus-Pai; uma constante procura da fé.
“Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”.
A minha alma glorifica ao Senhor,
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.
Porque pôs os olhos na humildade de sua serva.
De hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações,
o Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:
Santo é o seu nome.
A Sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do Seu braço
e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos
e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais,
a Abraão e à sua descendência para sempre.
SOB A VOSSA PROTEÇÃO (Da Liturgia das Horas)
Sob a vossa proteção procuramos refúgio,
santa Mãe de Deus:
Não desprezeis as súplicas de nós,
que estamos nas provas,
e livrai-nos de todo o perigo,
ó Virgem gloriosa e bendita.
Salve, Rainha, Mãe de misericórdia,
vida, doçura e esperança nossa, salve.
A Vós bradamos, os degradados filhos de Eva,
a Vós suspiramos, gemendo e chorando,
neste vale de lágrimas.
Eia, pois, Advogada nossa,
esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei.
E depois deste desterro,
nos mostrai Jesus, bendito fruto do vosso ventre.
Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria.
Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Amém.
Deus Vos salve, Rainha dos Céus,
Deus Vos salve, Rainha dos Anjos,
Deus Vos salve, Raiz e Porta
por onde veio a luz ao mundo.
Alegrai-Vos, ó Virgem gloriosa,
a mais bela entre todas as mulheres.
Santa Mãe de Deus, intercedei por nós,
diante do Vosso Filho.
REGINA COELI
V: Rainha do Céu, alegrai-Vos, Aleluia!
R: Porque Aquele que merecestes trazer em Vosso ventre, Aleluia!
V: Ressuscitou como disse, Aleluia!
R: Rogai por nós a Deus, Aleluia!
V: Alegrai-Vos e exultai, ó Virgem Maria, Aleluia!
R: Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!
V: O anjo do Senhor anunciou a Maria
R: E ela concebeu do Espírito Santo.
Ave Maria.
V: Eis a escrava do Senhor.
R: Faça-se em mim segundo a Vossa Palavra.
Ave Maria.
V: E o Verbo Se fez homem.
R: E habitou entre nós.
Ave Maria
V: Rogai por nós Santa Mãe de Deus.
R: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos: Infundi, Senhor, como Vos pedimos, a Vossa graça nas nossas almas. Para que nós, que pela Anunciação do Anjo conhecemos a Encarnação de Cristo, Vosso Filho, pela Sua Paixão e Morte na Cruz, sejamos conduzidos à gloria da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amém.
Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria,
que nunca se ouviu dizer
que algum daqueles que têm recorrido à Vossa proteção,
implorado a Vossa assistência e reclamado o Vosso socorro,
fosse por Vós desamparado.
Animado eu, pois, com igual confiança,
a Vós, Virgem entre todas singular,
como a Mãe recorro, de Vós me valho
e, gemendo sob o peso dos meus pecados,
me prostro a Vosso pés.
Não desprezeis as minhas súplicas,
ó Mãe do Filho de Deus humanado,
mas dignai-Vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que Vos rogo.
Amém.
Bendita sois Vós entre as mulheres!
Estivestes profundamente ligada
à nossa Redenção
e à Cruz de Cristo, nosso Salvador.
O Vosso coração foi traspassado com o coração d’Ele
e hoje, na glória do Vosso Filho,
não deixais de interceder por nós, pobres pecadores.
Amparais a Igreja, da qual sois Mãe.
Intercedeis por cada um dos Vossos filhos
e sois medianeira das graças divinas
que simbolizam os raios de luz
desprendidos de Vossas mãos abertas.
Determinais uma única condição:
que ousemos pedi-las e
que nos aproximemos de Vós com a confiança,
a ousadia e a singeleza de uma criança.
Assim nos guiais sempre em direção ao Vosso divino Filho.
Ó, SANTÍSSIMA!
Ó, Santíssima, piíssima e doce Virgem Maria!
Adorável e pura Mãe Imaculada, rogai por nós!
Vós sois o nosso amparo e o nosso refúgio, Mãe e Virgem Maria!
Esperamos de Vós todas as nossas aspirações; rogai por nós!
Olhai com bondade as nossas fragilidades e limitações. Salvai-nos, ó Maria!
Aliviai a nossa aflição; apaziguai a nossa dor; rogai por nós!
Ó, Virgem e Mãe, lançai um olhar misericordioso sobre nós. Escutai as nossas súplicas, ó Maria!
Vós sois a portadora da saúde divina; rogai por nós!
Que a Vossa piedade e compaixão venham em nosso auxílio, ó Maria!
Em Vós esperamos; a Vós suspiramos; rogai por nós!
SANTA MÃE DO REDENTOR
Santa Mãe do Redentor,
Porta do Céu, Estrela do Mar,
socorrei o povo cristão
que procura levantar-se do abismo da culpa.
Vós que, acolhendo a saudação do Anjo,
gerastes, com admiração da natureza,
o vosso santo Criador,
ó sempre Virgem Maria,
tende misericórdia dos pecadores.