1. MARIA E CRISTO: UMA RELAÇÃO ÍNTIMA
A maternidade divina constitui o núcleo da mariologia. Maria é toda relativa a Cristo e, a partir de Cristo, relativa à Igreja. “Maria no mistério de Cristo e da Igreja. Se Ora, Jesus é o centro do Cristianismo, Maria é central, por ser a pessoa que está mais próxima deste centro. Neste centro devemos entender Maria inserida no mistério salvífico, na economia da Salvação. Maria é a pessoa que Cristo mais ‘incluiu’ em sua obra redentora. Assim se expressa Santo Arquelau, Bispo de Cascar e Diodoris, a Mani, em 277”.
“Se, como dizes, Cristo não nasceu, também não sofreu, pois o sofrer é impossível a quem não nasceu. Se Ele sofreu, é necessário fazer desaparecer até o nome da Cruz. Suprimindo-se a Cruz, Jesus não ressuscitou dos mortos. Se Jesus não ressuscitou dos mortos, ninguém ressuscitará. Se ninguém ressuscitará, não haverá julgamento, pois é certo que se eu não ressuscito, não serei julgado. Se não deve haver julgamento, é em vão que se há de observar os mandamentos de Deus; não há como nos obrigar a isso: ‘comamos e bebamos, pois amanhã morreremos’. Todas estas coisas se encadeiam para aquele que nega que Jesus tenha nascido de Maria. Se, ao contrário, confessas o nascimento de Cristo de Maria, a Paixão o segue necessariamente; a Ressurreição à Paixão; o Julgamento à Ressurreição; e todos os preceitos da Escrituras estarão salvos. Não se trata, portanto, de uma questão vã. Ela contém muitas coisas nesta única palavra (Theotokos). Como toda a Lei e os Profetas estão contidos no duplo”. Preceito “, assim também toda nossa esperança está suspensa no parto da bem-aventurada Maria[1].
A expressão Virgem-Mãe constitui uma fórmula breve de fé. Virgem – sinal da divindade de Cristo (nascido do ES); Mãe – prova da humanidade de Cristo (no seio da Virgem Maria). Por isso Maria é tida pelos Santos Padres como o “centro da Ortodoxia e a regra da fé verdadeira”. (São Cirílo de Alexandria)
2. MARIA NO CONTEXTO BÍBLICO DO NOVO TESTAMENTO
SÍNTESE MARIOLÓGICA DE CADA EVANGELISTA
2.1 Marcos (60): Maria = mãe clânica ou carnal do Messias.
Em Marcos Maria tem apenas um nome, não um perfil definido. É ainda uma figura ‘sem relevo’. Não tem uma personalidade, mas é mera função. ‘Quem é minha mãe?’ (Mc 3,33). ‘Não é ele o filho de Maria? (Mc 6,3). O mistério de Jesus é sentido como escândalo e não como loucura. Marcos nada diz sobre Maria ou de sua reação. A expressão “Filho de Maria” é uma referência única e estranha no NT. No resto dos evangelhos se dirá “Filho de José” (Lc 3,23; 4,22; Jo 1,45; 6,42). Mt usa a fórmula indireta: “Não é Maria sua Mãe? (Mt 13,55)”.
Concluindo: Marcos é ainda ignorante da grandeza de Maria e apresenta uma Maria ignorante da grandeza de Jesus. A lição que fica para nós é que Maria começou sua peregrinação da fé praticamente do nada, do ponto zero. E foi crescendo a partir da obscuridade. Ela fica reduzida à sua função biológica e social.
2.1.1 Paulo (Carta aos Gálatas – escrita cerca de 56-57)
Seu único texto mariológico é Gl 4,4: “Feito de mulher... a fim de recebermos a adoção filial”. Talvez Maria ainda estivesse viva quando Paulo escreveu a carta, contudo, ao referir-se ‘nascido de mulher’ indica simplesmente a condição humana, especialmente seu aspecto fraco e mortal. Paulo diz exatamente ‘feito’, talvez para entender a pré-existência de Cristo. Também expressa a Kenose, a humilhação ou esvaziamento de Cristo que se fez servo (Fl 2,5-8), sem maldição (Gl 3,13), sem pecado (2Cor 5,21).
Conclusão: O interesse de Paulo é estritamente Cristológico. Jesus é o foco, o centro e sendo Maria apenas a figura de contraste em relação à filiação divina. Além disso, Maria, nesse texto, permanece anônima. Maria só entra aí em função de Cristo, como instrumento quase impessoal de sua vinda. Maria faz parte da História da Salvação e está estritamente relacionada como Filho e com seu envio. Ela serve de caminho para a vinda de Deus até nós em seu Filho. Ela possibilita a adoção filial. Assim, essa Mulher é também o caminho pelo qual vamos a Deus.
2.2 Mateus (70): Maria = é a Mãe-Vigem do Messias Salvador
No relato da genealogia de Jesus (Mt 1,1-17), Mateus cita cinco mulheres: 1)Tamar (Gn 38,15), a falsa prostituta; 2)Betsabéia (II Sam 11,11), com quem Davi adulterará; 3)Raab (Jos 2,1ss), a prostituta estrangeira (Js 2); 4)Rute (Rt 4), a estrangeira que casou com o velho Booz; 5)Maria, a suprema irregularidade: a virgem que se torna mãe. De Abraão a Davi – Davi ao Exílio da Babilônia – Exílio à Cristo (42 gerações). Abraão é o Pai dos crentes; Davi o fundador da dinastia real e Jesus é o filho da história humana e da promessa divina.
Não se trata de grandes matriarcas, mas de mulheres vivendo em situações irregular ou excepcional. Mateus quer sublinhar que a História da Salvação é conduzida pela soberania de Deus e por mais ninguém. Maria aparece no relato como figura que rompe a linha genealógica. Ela é o ponto de inflexão a partir do qual tem início uma outra genealogia, a da nova humanidade.
No relato do anúncio a José (Mt 1,18-25), Mateus concentra-se na questão da concepção virginal do Messias no seio de Maria. “Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho e o chamarão com o nome de Emanuel” v.23. O foco central não é mariológico mais cristológico. A concepção virginal diz respeito, a Jesus, e só depois a Maria. Sua maternidade não é obra de José, mas do Espírito Santo.
Na visita dos Magos (Mt 2,1-12), Maria aparece como a Nova Jerusalém e o novo Templo. “Onde está o rei dos judeus, recém –nascido?” v.2. “Viram o menino com Maria, sua mãe”. v.11. Onde encontrar Jesus? Lá onde está Maria. É Ela agora a sede ou o trono do novo Rei. Ela é o novo templo, onde habita Deus e onde é adorado. Os Magos encontram o menino e sua mãe. Maria, enfim, se mostra companheira inseparável do Filho. Maria participa da vida de Jesus e na obra salvifica do Messias numa extraordinária proximidade.
Conclusão: Maria emerge como uma personagem importante na História da Salvação. Ela é mais que mãe clânica como em Marcos: tem uma relação privilegiada e mesmo exclusiva com Cristo. É toda cristocentranda, é inteiramente de e para Cristo.
2.3 Lucas (80): Maria = mulher livre, a crente por excelência e a mãe do Messias.
Lucas enfatiza a figura de Maria como a mulher de fé por excelência. Antes, a Virgem aparece como uma mulher livre, que aceita consciente e responsavelmente a Palavra de Deus; depois, Ela surge como a Mãe do Senhor, precisamente a partir de sua aceitação na fé. Lucas é o evangelista que mais relata a presença de Maria dos evangelistas. Os mais significativos são três:
1)Anunciação (Lc 1,26-38): Este texto ressalta a Virgem como centro e protagonista da cena evangélica; traça da forma mais nítida o retrato humano e espiritual de Maria; é o mais usado na liturgia; é o mais citado pelos Padres da Igreja; e retrata a cena mariana mais pintada pelos artistas. São João Crisólogo apresenta Maria, neste contexto, como a ‘obra dos séculos’, isto é, a Salvação do Mundo. Sto. Tomás de Aquino diz: ‘Pela Anunciação se esperava o consenso da Virgem no lugar de toda a natureza humana’. Maria é a cheia de graça e aparece como figura da liberdade humana, de uma liberdade que é poder de entrega, mas também de recusa. Ela vive a aventura dramática da liberdade, com seus cumes de luz, mas também com seus vórtices tenebrosos. A Virgem emerge como imagem de uma liberdade concreta, que diz sim ‘A Palavra de Deus’. Por isso Ela é a figura da fé, como ato de uma liberdade que se abre toda à oferta da graça e do amor.
2)Visitação (Lc 1,39-45): ‘Levantando-se, Maria partiu com pressa’ v.39... O levantar-se mostra a iniciativa autônoma de Maria de partir para as montanhas. O amor tem pressa. A Virgem é levada pelo amor, seja ao filho que traz no ventre, seja à prima em necessidade, seja simplesmente à vontade de Deus. Essa pressa é sinal de solicitude e disponibilidade. Na Visitação a Virgem mostra o que significa ser uma serva em ação. Torna-se a primeira evangelizadora da Boa-Nova. A saudação de sua prima, ‘feliz aquela que acreditou’ v.45, revela a identidade espiritual de Maria, a crente por excelência. ‘Feliz de quem crê sem ter visto’, exclamará Jesus em Jo 20,29.
3)Magnificat (Lc 1,46-55): É o canto da libertação messiânica. É o texto bíblico mais longo colocado na boca de Maria. Aqui não se fala de Maria, mas é Maria mesma que fala: fala de Deus e das maravilhas que realizou nela, no mundo e em seu povo. Documento de Puebla (n.297; 1144) declara este cântico ‘espelho da alma de Maria’; o ‘cume da espiritualidade dos pobres de Javé’, o ‘prelúdio do Sermão da Montanha’. A estrutura do Magnificat, segundo o teólogo Dupont, expressa: ação divina em Maria, mensagem pessoal; ação divina na Humanidade, mensagem social; ação divina no Povo de Israel, mensagem étnica.
Conclusão: Temos em Lucas Maria com uma personalidade: mulher responsável, autônoma, determinada. Tem um rosto, um perfil, um caráter, uma identidade própria, de relação polarizada, tensa, mas profundamente acolhedora e fiel. É pessoa que caminha, cresce e se determina.
2.4 João (90): Maria = mediadora da fé (Cana – Jo 2,1-12) , mãe da Comunidade (sob a Cruz – Jo 19,25-27) e figura da Igreja e da Nova Criação (Ap 12).
Maria em João é mais que mera personagem (missão) e até mais que uma personalidade (pessoa): é personalidade corporativa. Seu significado supera sua pessoa individual. Ela representa a comunidade eclesial, a humanidade salva, o cosmo redimido. A Maria de João transcende infinitamente Maria de Nazaré. João coloca Maria nos dois momentos decisivo do ministério de Jesus: Caná representa o momento da inauguração da vida pública e o Calvário é o momento culminante da hora de Jesus a exaltação ba cruz. João usa o simbólico para escrever, assim, devemos ler Maria com base de um sentido mais profundo, que é o sentido espiritual, místico, sobrenatural. Daí o principio hermenêutico de Orígenes: “Ninguém pode compreender o sentido do Evangelho de João a não ser aquele que repousar sobre o peito de Jesus ou receber Maria como mãe das mãos de Jesus” (PG 14,29-32).
Jesus na Cruz, ao usar a expressão mulher, quer indicar o sentido simbólico-místico da pessoa de Maria. Torna-se a figura-tipo da Igreja-mãe, a comunidade apostólica-missionária, que gera filhos para Deus através da Palavra de Deus e dos Sacramentos. Ela é a nova Eva, como Cristo o novo Adão (São Justino e Irineu). É a mãe carnal de Jesus e a mãe espiritual dos discípulos, é a mãe da Igreja, da comunidade de fé. Ela torna-se o ícone-simbólico-teológico que supera a realidade da Maria histórica, a Virgem de Nazaré. Assim, Maria torna-se parte da Identidade Cristã. E o título de Maria, Mãe da Igreja, aparece no séc. XI com Berengário de Tours, mas foi somente declarado título mariano solenemente por Paulo VI em 21 de novembro de 1964.
João no Apocalipse apresenta Maria na dupla condição da Igreja: condição humilhada e vencida no tempo, e gloriosa e finalmente vencedora. O simbolismo esta na Igreja que sofre as dores do parto mediante as perseguições para gerar Cristo nos corações. Maria na glória continua hoje sofrendo misticamente as dores de seus filhos e filhas, caminhando na história (Ap12,17). Essa dor/parto tem seu destino de vida/vitória. Daí a LG apresenta Maria como ‘sinal de esperança segura e conforto para o Povo de Deus’. (LG 68)
Concluindo percebemos, neste contexto, uma evolução da figura de Maria no NT. A fase oculta de Marcos como a mãe carnal ou clânica do Filho de Deus; a fase alusiva de Paulo; a fase positiva de Mateus e Lucas e a fase de aprofundamento de João. Neste amadurecimento mariológico, a Igreja não inventou coisas sobre a Virgem, apenas descobriu dimensões de seu mistério e apresenta Maria como pessoa próxima de Cristo, membro mais eminente da Igreja, a qual recebe alguns privilégios como os dogmas de Mãe de Deus, Sempre Virgem, Imaculada, e assunta ao céu. Essas particularíssimas de Maria estão a serviço de Cristo e tão somente pelos seus méritos, não visam tanto honrá-la sua pessoa quanto habilitá-la para servir o Mistério da Salvação. Ela esta toda voltada para Cristo e seu Reino. Ela é testemunha do Messias e de sua obra. É um ser todo relativo: um ser-de, um ser-com e um ser-para.
3. MARIA: MULHER EUCARISTICA
3.1 Igreja e Eucaristia
A encíclica ‘Ecclesia de Eucharistia’ de João Paulo II, recorda e apresenta que a Igreja vive da Eucaristia. Essa verdade não exprime apenas uma experiência de fé, mas contém em síntese o próprio núcleo do mistério da Igreja onde esta contida o próprio tesouro da Igreja. “A Igreja vive de Jesus eucarístico, por ele é nutrida, por ele é iluminada. É ao mesmo tempo Mistério de fé e, ao mesmo tempo Mistério de Luz” (EE 6).
3.2 Maria e Eucaristia
Assim, devemos nos colocar na escola de Maria, a mulher eucarística se quisermos redescobrir em toda a sua riqueza e sua relação íntima entre a Igreja e a Eucaristia. Ela se apresenta como Mãe e modelo da Igreja que nos pode guiar para o Santíssimo Sacramento, justamente porque tem uma profunda ligação com ele.
Maria é mulher eucarística na totalidade de sua vida. A Igreja, vendo em Maria o seu modelo, é chamada a imitá-la também na sua relação com este mistério santíssimo. Maria praticou a sua fé eucarística ainda antes de ser intuída a Eucaristia, quando ofereceu seu ventre virginal para a encarnação do Verbo de Deus.
3.3 Fiat de Maria e Amém Eucarístico
Existe uma profunda analogia entre o Fiat pronunciado por Maria, em resposta às palavras do Anjo, e o amém que cada fiel pronuncia quando recebe o corpo do Senhor. A Maria foi-lhe pedido para acreditar na obra do ES, na eucaristia é-nos pedido para crer que aquele mesmo Jesus, Filho de Deus e Filho de Maria, torna-se presente nos sinais do pão e do vinho como todo o seu ser humano-divino. Santo Agostinho ressalta: “Para Maria, ter sido discípula de Cristo foi mais do que ser mãe dele (...) Por isso também Maria é bem-aventurada, porque ouviu a palavra de Deus e a guardou; guardou mais na mente a Verdade do que no seio a carne. Cristo é Verdade, Cristo é carne: Cristo Verdade na mente de Maria. Vale mais o que se carrega na mente do que o que se carrega no ventre. O parentesco materno não teria ajudado em nada a Maria, se ela não tivesse carregado Cristo de modo mais feliz no coração do que na carne”.[2]
3.4 Maria Prelúdio da Eucaristia
‘Feliz daquela que Acreditou’ (Lc 1,45): Maria antecipou também, no mistério da encarnação, a fé eucarística da Igreja. E, na visitação, quando leva no seu ventre o Verbo encarnado, de certo modo ela serve de ‘sacrário’ – o primeiro sacrário da história -, para o Filho de Deus.
‘Alegra-te cheia de graça, o Senhor esta contigo’ (Lc 1,28). Maria é a mulher preparada, cheia de graça, imaculada antes de aceitar receber Cristo em seu ventre. Não se torna escopo de uma esmerada preparação para receber o Cristo que nos vem através da Eucaristia? Uma preparação através da confissão, de um bem feito ato de consciência e arrependimento numa atitude de conversão? E o olhar extasiado de Maria, quando contemplava o rosto de Cristo, recém-nascido e o estreitava nos seus braços, não é porventura o modelo inatingível de amor a que se devem inspirar todas as nossas comunidades eucarísticas?
3.5 Maria e a Dimensão Sacrificial da Missa
Ao longo de toda a sua existência ao lado de Cristo, e não apenas no Calvário, Maria viveu a dimensão sacrificial da Eucaristia. Aos pés da Cruz viu e sentiu o drama do Filho crucificado. Preparando-se para o dia do Calvário, Maria vive a Eucaristia antecipada, a comunhão espiritual de desejo e oferta que se cumpre com a Paixão e no período pós-pascal, na sua participação na celebração eucarística presidida pelos Apóstolos como ‘memorial’da Paixão. Aquele corpo entregue em sacrifício e presente agora nas espécies sacramentais do pão e do vinho, ressoa em Maria aquele coração que ela carregou em seu ventre.
3.6 Maria e Igreja Eucarística
‘Fazei isto em memória de mim’ (Lc 22,19): Viver o memorial da morte de Cristo na Eucaristia implica também receber continuamente este dom. Significa levar conosco – a exemplo de João – Aquela que sempre de novo nos dá como Mãe. Significa ao mesmo tempo assumir o compromisso de nos conformarmos com Cristo, entrando na escola de Mãe e aceitando a sua companhia. Maria esta sempre presente, com a Igreja e como Mãe da Igreja, em cada uma das celebrações Eucarísticas. Se a Igreja e Eucaristia são realidade indivisível. Maria e Eucaristia o são igualmente. O Cristão que comunga bem assume com liberdade e responsabilidade o projeto de Deus revelado em Jesus Cristo como oferenda, oferta aos irmãos e irmãs numa atitude de serviço. Maria colocou-se como a serva do Senhor. Pela Eucaristia nos tornamos servos da missão.
3.6 Maria no Magnificat e a Eucaristia como Ação de Graças.
Pela Eucaristia, a Igreja une os louvores a Deus. Pode-se aprofundar esta verdade relendo o Magnificat em perspectiva eucarística. O cântico de Maria é louvou e ação de Graças quando exclama: “A minha alma glorifica ao Senhor e o meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador. Maria traz no seu ventre Jesus. Louva o Pai por Jesus, mas louva-o também em Jesus e com Jesus. É nisto precisamente que consiste a verdadeira ‘atitude eucarística’. Aqui também esta presente a tensão escatológica da Eucaristia. Maria canta aquele novo céu e aquela nova terra, cuja antecipação em certa medida se encontra na Eucaristia. Se o Magnificat exprime a espiritualidade de Maria, nada melhor do que esta espiritualidade nos pode ajudar a viver o mistério eucarístico. Recebemos o Dom da Eucaristia, para que a nossa vida, à semelhança de Maria, seja toda ela um Magnificat!
Conclusão
Para com Maria temos que nos dirigir com o coração emocional, não no sentido moderno, mas bíblico, do coração que intui, adivinha, discerne e decide. Deve-se levar em conta a lei do amor. Assim, a devoção à Maria é fruto do afeto, da admiração, do entusiasmo e da exaltação. S. João Damasceno confessa: “Que haverá de mais doce do que a Mãe de Deus? Ela cativou meu espírito, seduziu minha língua; penso nela dia e noite”.
Para o apaixonado, tudo o que se refere à pessoa amada é maravilhoso. As mais profundas intuições mariológicas surgiram de um entranhado amor a Maria, no entanto, deve-se evitar uma carga emocional excessiva, pois nos alerta S. Bernardo e S. Boaventura, dois grandes expoentes de reflexão sobre Maria: “A Virgem não precisa de nossas mentiras para se fazer honrar”. Portanto, o mistério de Maria na Igreja leva em consideração o campo da razão e o campo da emoção e é preciso ter mais dons para se oferecer do que dogmas para se impor, entra-se nisso no campo da experiência. Assim é preciso levar em consideração as seguintes dimensões:
1)Intelectual: compreender corretamente o lugar e a missão de Maria na História da Salvação.
2)Espiritual: crescer em amor e em piedade para com a Mãe do Senhor.
3)Moral: ser levado a imitá-la como exemplo de vida, especialmente de fé e de amor.
4)Cultual: poder celebrá-la de modo adequado na liturgia e nas práticas da devoção popular.
5)Pastoral: ser capas de comunicar o sentido de Maria ao Povo de Deus e à sociedade de hoje.
Neste ano da Eucaristia, sustentada por Maria, a mulher eucarística, a Igreja encontre novo impulso para a missão e reconheça sempre mais a Eucaristia a fonte e o vértice de toda sua vida.
Acompanhe-nos neste caminho a sempre Virgem e Imaculada mãe de Deus e nossa, Maria.
Colombo, 08 de junho de 2005.
Pe. Carlos Luiz Bacheladenski,cm
Diretor Seminário Propedêutico
[1] Moehler. Patrologie dês trois premiers siècles. T.II, p.262.
[2] Apud CNBB. Com Maria, rumo ao Novo Milênio. SP: Paulinas, 1998, p.92.
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