| Arquivo | Página Inicial |
Ao ler o relato das Aparições da Santíssima Virgem a Catarina Labouré, é impossível não sentir admiração diante da maravilha deste encontro que ocorreu no meio da noite. É a própria Catarina que afirma: “Ali, passei o momento mais doce da minha vida, ser-me-ia impossível dizer tudo o que senti”. Porém, deste encontro e desta visita da Virgem, ficou-nos uma lembrança, a Capela da Rue du Bac, e um sinal, a Medalha Milagrosa. Sem dúvida, haveria muito que dizer sobre esse evento, mas gostaria de contemplar três elementos do relato: o globo, a jaculatória e os raios.
Catarina vê as mãos da Virgem segurando uma esfera, e escuta desde o fundo do coração: “Este globo que vês representa o mundo inteiro, especialmente a França, e a cada pessoa em particular”. Maria diz-nos assim que lhe interessam as nossas alegrias e as nossas penas, os nossos fracassos e as nossas esperanças, os nossos sonhos e os nossos trabalhos; interessa-lhe tudo o que afecta a cada um dos seus filhos. Mostra interesse pelo sofrimento de África, pelas inquietações da Europa, pela pobreza da América e pelas esperanças da Ásia. Interessa-lhe cada homem que nasce, vive e morre.
Descobrimos ao mesmo tempo que lhe agrada a nossa oração. Ao redor da Virgem, aparece em letras de ouro a invocação “Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós” e raios saem das mãos de Maria: “Estes raios são o símbolo das graças que distribuo às pessoas que as pedem a mim”. Convida-nos assim, a confiar-lhe tudo, a pedir-lhe para que a sua intercessão obtenha os milagres que a nossa debilidade e as nossas limitações não conseguem, como em Caná há dois mil anos. Há porém que recordar que há pedras que não brilham pelas graças que nos esquecemos de pedir. Maria quer acompanhar, e de facto acompanha a nossa vida, respondendo com amor às nossas orações e concedendo-nos a graça que vem de Deus. Mostra-se generosa com aqueles que rezam e abandonam em suas mãos a sua vida e as suas preocupações, as suas relações e os seus projectos. Só pede fé no seu Filho, cujo amor descobrimos no reverso da Medalha, na sua vida entregue na cruz, no dom de Maria como nossa Mãe, na sua Igreja que guia o nosso caminho de fé. Exige confiança quando levamos a medalha e quando a damos a conhecer.
Este presente inestimável da Virgem leva anexa uma missão: “Faz cunhar uma medalha segundo este modelo”, para que todos possam descobrir, através deste sinal tão simples, o amor infinito de Deus. É também um chamamento a viver a Mensagem da Medalha. Através de Catarina, Maria convida-nos a acolhê-la como educadora da nossa Fé e da nossa entrega a Deus e aos irmãos; chama-nos a viver segundo o Espírito para respondermos com generosidade à nossa vocação. Linguagem dos humildes, a Medalha recorda-nos a nossa opção preferencial pelos pobres, leva-nos a viver a paixão por eles e a entrar em comunhão de vida com eles, acolhendo e partilhando as suas alegrias e os seus sofrimentos. Sim, demos a conhecer este presente de Maria, saibamos seguir aprofundando a Mensagem da Rue du Bac, e manifestar o poder sempre novo do Evangelho diante dos desafios do mundo presente. Neste 175º Aniversário das Aparições, Deus nos conceda ver a Medalha Milagrosa com olhos de criança, admirados diante da ternura da nossa Mãe e do mistério do amor de Deus por cada homem, agradecidos pela presença maternal da Santíssima Virgem, dispensadora das graças de Deus, e confiados no seu apoio.
Maria, Nossa Senhora da Medalha Milagrosa e Mulher da espera, nos ajude a viver o Tempo de Advento no amor a esse Deus que sai ao nosso encontro, se faz homem e permanece eternamente connosco. Sejamos mensageiros da Medalha, resumo do Evangelho. Sejamos também medalhas para os que nos rodeiam.
Yasmine Cajuste
Presidente Internacional JMV
| Arquivo | Página Inicial |